Brasileira com a 'pior dor no mundo' volta a reconsiderar eutanásia: 'Tá só piorando'
Por CompartilharnaRede
Carolina Arruda, de 28 anos, compartilha diariamente sua luta contra a "pior dor no mundo". A mineira, diagnosticada com neuralgia do trigêmio, passou por dois procedimentos recentemente para tentar aliviar os sintomas da condição. No entanto, o quadro voltou a piorar com o passar do tempo e ela considera passar por uma eutanásia.
A estudante de medicina foi submetida a um implante de neuroestimuladores e da bomba intratecal, o que diminuiu sua dor em 25%, mas o quadro piorou. Nesta segunda-feira (31), enquanto respondia questionamentos de seguidores nas redes sociais, a jovem desabafou.
"Comparando a dor atualmente, e quando ela teve aquela pequena redução, ela continua muito maior. Ela voltou a ser o que era antes, tão insuportável quanto. Na realidade, durantes esses quase 12 anos que eu tenho a crise, a dor foi só piorando ao longo do tempo. Porque é realmente assim que acontece: o nervo vai perdendo a capa dele, ficando cada vez mais desprotegido e consequentemente a dor vai aumentando com o tempo", explicou.
"A tendência da dor é, realmente, ir aumentando. E eu não sei aonde isso vai parar, porque ela já aumentou ainda mais. Às vezes eu acho que não tem como piorar, mas sempre tem", refletiu.
Apesar de voltar a considerar a eutanásia, prática ilegal no Brasil, Carolina afirmou que não tomará nenhuma decisão antes de finalizar seu atual tratamento. Meses atrás ela passou a juntar dinheiro para viajar para a Suíça, onde o procedimento é legalizado.
Entenda a doença
A neuralgia do trigêmeo, conhecida como a "doença do suicídio", é uma condição rara que afeta o nervo trigêmeo, um dos nervos mais longos da cabeça, e provoca dores intensas e constantes na face.
Carolina começou a sentir as dores aos 16 anos, quando estava grávida e se recuperava de dengue. No entanto, após o nascimento da filha, as dores ficaram mais intensas. Ela chegou a abrir mão da criação da bebê quando ela completou um ano, levando a menina para morar com os bisavós.
Após se consultar com diversos médicos, Carolina recebeu o diagnóstico aos 20 anos. "Eu lembro que fiquei confusa, não sabia a gravidade. Achei que era simplesmente uma enxaqueca como as que minha mãe sempre teve e que voltavam ao normal depois de alguns dias. Mas comigo a dor nunca passou, só agravou ao longo dos anos a ponto de eu não conseguir fazer exatamente nada, às vezes, nem um simples banho sozinha eu consigo, preciso da ajuda do meu marido”, disse ao g1.
